Pesquisar neste blogue

terça-feira, 8 de junho de 2010

Histórico do Congresso Europeu sobre a Pobreza e a Exclusão Social

Entre 4 e 5 de Junho de 2010, em Madrid, Espanha, realizou-se o Congresso Europeu sobre a Pobreza e a Exclusão Social, organizado pela Cáritas Europa em parceria com a Cáritas Espanhola.

Dia 1

Os 200 participantes foram recebidos pelo Presidente da Cáritas organizadora, Pe. Erny Gillen, que na sessão inaugural se insurgiu contra a ausência dos representantes do Governo espanhol, que, embora convidados pelo facto de terem a presidência do Conselho da União Europeia, não corresponderam ao convite. Disse: “Neste momento, em que a Europa discute a nova estratégia política para 2020, achamos que a Cáritas tem uma palavra a dizer pois acreditamos no valor da nossa experiência de caminhada ao lado das pessoas que vivem em situações de pobreza, no nosso compromisso com a justiça social e a promoção da dignidade da pessoa humana. Será que os dirigentes da Europa têm medo de falar de pobreza e de exclusão social?”.

Depois da saudação do Presidente e do Secretário-Geral da Cáritas Espanhola, o Presidente da Caritas Internationalis, Cardeal Óscar Rodriguez Maradiaga, proferiu a Conferência Principal referindo-se à actual situação de pobreza e de exclusão que se vive no mundo. A este propósito disse que “para falar de pobreza é vulgar utilizar estatísticas. Não está mal, mas para a Cáritas os pobres não são números. São pessoas que têm rosto.” Testemunhou, ainda, a sua perplexidade face à postura de muitos governantes ao dizer: “Fico muito triste quando me lembro que, em Roma, na reunião da FAO, se calculou que para acabar com a fome no mundo seriam precisos cerca de 6 biliões de dólares e os líderes mundiais disseram que não tinham possibilidade de pagar essa factura. Nos meses seguintes, um só país pagou ao sistema bancário um montante superior para ajudar a debelar a situação de crise financeira do mesmo. São sempre os mais pobres a sofrer cortes, quando estes deveriam ser intocáveis. As gerações futuras não vão compreender como é que, ao fim destes anos, se permitiu que tantas pessoas vivessem em situação de pobreza” concluiu.

A seguir, Inna Steinbuka, responsável do Eurostat pelas estatísticas sociais, apresentou as propostas que estão a ser discutidas no seio da União Europeia para medir a qualidade de vida, alargando o actual método de medição, indo além do PIB de cada país.

Os Professores Luis Ayala Cañón e Miguel Laparra Navarro apresentaram um diagnóstico da situação socioeconómica de Espanha. Para estes investigadores, a situação de crescimento económico que Espanha viveu nos últimos anos, não levou a uma redução significativa da situação de pobreza. Sem colocar este tema no topo da agenda política não haverá uma redução drástica desta situação. Neste tempo de crise, as actuações junto dos mais atingidos por ela deve ser facilitada e caracterizar-se pela proximidade.

Da parte da tarde, a mesa redonda subordinada ao tema “Cáritas no mundo: experiências de análise da pobreza e das políticas de desenvolvimento” foi moderada por Lesley-Anne Knight, Secretária Geral da Caritas Internationalis. Representantes do Brasil, Singapura, Estados Unidos da América e Etiópia apresentaram o que fazem para combater a pobreza. A terminar esta sessão a moderadora deixou o seguinte desafio: “Durante este dias, interrogo-me sobre o que teriam pensado os construtores do mosteiro de El Escorial e da Basílica de S. Pedro ao saberem que não viveriam para ver o fim da sua obra. Porque não lançar, no nosso tempo de vida, as bases para um mundo sem pobreza?”.

A segunda mesa redonda, moderada por Marius Wanders, Secretário-Geral cessante da Cáritas Europa, debateu o tema “Cáritas na Europa: experiências de análise da pobreza e das politicas de desenvolvimento”. Os intervenientes apresentaram as suas metodologias de actuação, explicando s modelos de acção social utilizados que têm nos grupos locais os principais agentes.



Dia 2

No segundo dia foi a vez de ouvir as instituições europeias e redes parceiras da sociedade civil. Do lado das instituições, estiveram representantes da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu e do Conselho da Europa. As Instituições Europeias reconhecem que este é um momento particularmente difícil para a Europa mas a nova estratégia 2020, que será aprovada no próximo Conselho Europeu de Primavera, dias 17 e 18 de Junho, dará um novo enquadramento e ímpeto às políticas, em particular às políticas sociais. Um dos interveninetes mencionou que "a situação social seria bem pior se não fossem os nossos sistemas sociais fortes que funcionam como estabilizadores automáticos. Temos que ser ambiciosos em todos os campos mas devemos, igualmente, ter consciência da situação actual".

Da parte da Sociedade Civil, a expectativa é que os governos mantenham, na Estratégia 2020, a meta de retirar 20 milhões de pessoas da situação de pobreza em que se encontram actualmente. Pede-se mais coerência entre políticas e que os compromissos sejam efectivamente concretizados, nomeadamente: que a dimensão económica não se sobreponha à social e ambiental, que o pagamento da crise não seja feito exclusivamente pelos contribuintes e os trabalhadores, que sejam cumpridos os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e que a Europa.

No encerramento do Congresso, a Cáritas Europa apresentou as seguintes propostas aos dirigentes políticos europeus:
1. Reduzir em 30% a actual taxa de pobreza dos 27, tirando 25 milhões de pessoas desta situação, através uma autêntica estratégia de Inclusão activa que tenha em conta políticas de rendimento, de habitação, as respostas sociais e o trabalho digno;

2. Erradicar a pobreza infantil na Europa, reduzindo o actual número em 70%, nos próximos 10 anos;

3. Melhorar significativamente as condições de educação e formação, assegurando igualdade de oportunidades a todas as crianças e que seja estabelecida uma meta especial para reduzir o desemprego nas camadas jovens;

4. Promover a integração dos mais excluídos, nomeadamente: os imigrantes, as minorias étnicas, as pessoas com incapacidades ou com doenças infecciosas graves, através de politicas de emprego e de medidas de política social equilibradas;

5. Desenvolver maior coerência entre as políticas internas e as de cooperação para o desenvolvimento para que se alcançe um desenvolvimento sustentável nos países do sul. Criar as condições para que, em 2015, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio sejam alcançados e que, após esta data, se tracem novas metas mais ambiciosas;

6. Fazer da Europa a região do mundo com maior impacto na mudança das alterações climáticas. Para isso deverão ser criadas as condições para que, depois de 2020, seja possivel ambicionar mais do que as metas 20/20/20 (reduzir em 20% os gases de efeito estufa, 20% da energia deverá provir de energias renováveis e que seja melhorada, em 20%, a eficiência energética).

7. Melhorar, até 2020, os aspectos de governação da União de forma a permitir uma verdadeira participação de todos e todas no planeamento, implementação, acompanhamento e avaliação destas estratégias.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Congresso Europeu sobre a Pobreza e a Exclusão Social

Vai realizar-se de 4 a 5 de Junho, de 2010, o Congresso Europeu sobre a Pobreza e a Exclusão Social.
O congresso pretende ser mais um dos contributos da Cáritas para as acções do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social. Irão partilhar e debater-se análises contemporâneas sobre a pobreza, bem como propostas para acções futuras.

Para mais informações sobre os fundamentos deste Congresso e sobre o seu programa, consulte (em inglês): http://www.caritas-europa.org/code/en/event.asp?id_events=18

Debater para Envolver

Vai decorrer hoje, dia 31 de Maio de 2010, no Auditório da Escola Superior de Tecnologia de Viseu, o evento "Debater para Envolver", promovido pela Cáritas Diocesana de Viseu. Este encontro tem como objectivo sensibilizar, envolver e responsabilizar os diferentes actores sociais, desde os indivíduos em situação de vulnerabilidade, às Instituições, às Entidades Públicas e Privadas, empresas e população em geral, para os complexos e multidimensionais fenómenos da pobreza e exclusão social

Mais informações em: http://www.caritas.pt/ficheiros/viseu/file/Ano_Europ__.pdf

quarta-feira, 17 de março de 2010

LANÇAMENTO NACIONAL DA PETIÇÃO ACABAR COM A POBREZA JÁ!

Para assinalar o Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, a Cáritas está a promover a realização de uma petição na qual apela ao fim da pobreza infantil na Europa, propõe a abrangência universal dos sistemas de protecção social, o acesso efectivo a serviços sociais e de saúde, e que se criem condições para que todas e todos possam ter um trabalho digno.

Quer-se atingir, em toda a Europa, 1 milhão de assinaturas pois com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa um milhão de cidadãos, de um número significativo de países, podem solicitar à Comissão Europeia que apresente iniciativas nas áreas de competência da UE.

quarta-feira, 10 de março de 2010

ANO EUROPEU DE COMBATE À POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL, analogia curiosa


O Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, proposto para o corrente ano pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia com o grande objectivo de reforçar o empenho da União e de cada Estado-Membro na solidariedade, na justiça social e no aumento da coesão social, exercendo um impacto decisivo na erradicação da pobreza que se faz sentir por toda a Europa, já viu decorrer o seu primeiro mês. Pese embora toda a esperança que se deseja implementar no início de qualquer projecto humano, a temática deste Ano ainda mal se fez sentir, pelo menos a nível nacional.

ANO EUROPEU DE COMBATE Á POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL


Desde 1983, a Europa lança todos os anos uma campanha de sensibilização denominada “Ano Europeu”, visando atrair a atenção dos governos nacionais para temáticas de natureza social, bem como informar e promover o diálogo com os cidadãos europeus, a fim de fazer evoluir as mentalidades e os comportamentos em questões especiais e de interesse geral.
Assim, no dia 22 de Outubro de 2008, o Parlamento Europeu e o Conselho da União Europeia aprovaram uma decisão relativa à instituição do ano 2010 como “Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social” (AECPES) com o grande objectivo de reforçar o empenho da União e de cada Estado-Membro na solidariedade, na justiça social e no aumento da coesão, exercendo um impacto decisivo na erradicação da pobreza que (ainda) se faz sentir por toda a Europa.

sexta-feira, 5 de março de 2010

CONCLUSÕES DO CONSELHO GERAL DA CÁRITAS PORTUGUESA DE FEVEREIRO DE 2010

No Centro Apostólico do Sameiro, Braga, realizou-se, de vinte e seis a vinte e oito de Fevereiro de 2010, o primeiro Conselho Geral da Cáritas Portuguesa deste Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social com a presença de dezoito Cáritas diocesanas das vinte existentes em Portugal.

- Na presidência dos trabalhos esteve o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, D. Carlos Azevedo. Este encontro contou também com a presença do arcebispo de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, de D. Manuel Linda, bispo auxiliar desta arquidiocese, e de José Magalhães, membro do Secretariado da Cáritas Brasileira.

CÁRITAS LANÇA PETIÇÃO CONTRA A POBREZA

Durante a Semana Cáritas, no dia 2 de Março, no auditório do Metro do Alto dos Moinhos, em Lisboa, a Cáritas Portuguesa lançou oficialmente a petição contra a pobreza. Esta iniciativa faz parte da campanha “ACABAR COM A POBREZA JÀ! " e está a acontecer nos 44 países que constituem a rede Cáritas na Europa, onde tem a designação de Zero Poverty Act Now. Na petição apela-se ao fim da pobreza infantil na Europa, propõe-se a abrangência universal dos sistemas de protecção social, o acesso efectivo a serviços sociais e de saúde, e que se criem condições para que todas e todos possam ter um trabalho digno.

ACABAR COM A POBREZA JÁ!

Campanha da Cáritas para assinalar o Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social.